TEXTO 01
Tecnologia na Sociedade, na vida e na escola
Beth Almeida
Como se coloca a escola diante deste novo panorama da sociedade?
A escola deve se colocar como mediadora dos novos métodos tecnológicos. Primeiramente os professores devem receber atenção especial no sentido de receberem preparação para a apropriação técnica dos novos recursos e num momento seguinte a formação adequada para a adaptação dos métodos didáticos antigos aos novos recursos tecnológicos de modo que o conteúdo continue sendo ensinado e o processo educativo assegurado, onde a tecnologia seja apenas meio de integração transdisciplinar e não o fim.
O que mudou na escola na última década no sentido de atender a essas novas demandas?
Em substituição aos recursos também tecnológicos anteriores como giz, apagador, mimeógrafo, quadro-negro, flanelógrafo, projetor de slides, diário de chamada, caneta, lápis, borracha, caderno de caligrafia e aritmética, ficha descritiva, máquina de datilografia entre outros já dominados pelos professores, uma tsuname tecnológica inundou a escola com aparelhos tecnológicos desde tvs, videocassetes, dvd players, máquinas fotográficas analógicas às digitais com recursos de filmagem em vários formatos, datashow, notebooks, quadro branco e a smart board (lousa interativa), impressoras, o microcomputador de mesa, os aparelhos celulares, o iphone, o ipod e o ipad, a internet e as redes sociais, e finalmente a convergência de todos em netbooks provocando sensíveis mudanças na maneira das pessoas se relacionarem, e consequentemente no modo de aprender e ensinar.
E você professor, como se sente diante deste novo desafio?
Atropelado e desamparado pela tecnologia que não pára para oferecer socorro o professor fica a mercê de apáticos e ineficientes programas de formação continuada incapazes de socorrer o universo destes que, além de não receberam a formação necessária emergencial, ainda se vêm obrigados, as suas custas, se instrumentalizarem de recursos tecnológicos e de formação autodidata para remediarem suas férias e correrem atrás da ambulância turbinada, mas sem retrovisores.
Como vem sendo a sua prática?
Tenho observado que o uso de recursos tecnológicos tem crescido timidamente a partir da renovação de professores, mas esse uso ainda se resume ao aperfeiçoamento na apresentação de trabalhos, propostas e projetos, ainda muito longe do que preceitua a utilização pedagógica da tecnologia como ferramenta integradora multimeio para estimular e construir o conhecimento a partir das novas competências.
Como vem sendo sua postura diante da necessidade de aprender ao longo da vida e das novas formas de letramento/alfabetização?
Sempre fui crítico da tecnologia no sentido de que esta deve estar a serviço do homem. A maneira como a tecnologia tem alterado a forma de relacionamento dos seres humanos coloca em risco toda a estrutura de organização mundial. Não que a estrutura atual esteja em ordem satisfatória, muito pelo contrário, mas pelo simples fato de sabermos onde iremos parar. Com e a partir dos novos recursos tecnológicos, o homem tem se transformado em um ser virtual e ao sair para ou entrar no mundo real ele projeta sua personalidade irreal e sem sustentação de ações que só são possíveis através da convivência e administração de conflitos oportunizados pelo outro ser social e politicamente desenvolvido, pessoa em carne, osso, razão e emoção, histórico, crítico, capaz de atingir e ser atingido pel
o seu semelhante, igualmente capaz de modificar e ser modificado pelo meio real em que devemos, todos, viver.
TEXTO 02
“A Sociedade da aprendizagem e o desafio de converter informação em conhecimento.”
Juan Ignácio Pozo
Quais são as principais características dessa sociedade da aprendizagem?
A sociedade da aprendizagem caracteriza-se basicamente pela constante necessidade de aprender em que vivem seus cidadãos, não só do ponto de vista educacional, mas em todas as áreas da atividade humana e, não havendo recompensa nem reconhecimento pelo que se aprende por
que o conhecimento adquirido se torna inútil a cada inovação, em todo reaprender fica evidenciada a dificuldade de aprendizagem. Na lógica do consumo não só os bem materiais se desvalorizam perante ao novo, mas também o conhecimento, os valores, os ideais e princípios morais e éticos.
Quais são as capacidades necessárias para uma gestão do conhecimento?
O autor sugere uma reformulação pela escola, em novos métodos de aprendizagem através de novas formas de alfabetização literária, gráfica, artística, econômica, informática etc, que venham garantir a difusão democrática do co
nhecimento, muito embora o ideal seria frear essa demanda insensata e mercadológica de tudo e de todos para, num momento seguinte reconduzir o homem ao seu posto sagrado, a muitos degraus acima das coisas produzíveis e perecíveis. Com o controle de seu destino, motivo, razão, preservado de suas competências interpessoais, afetivas, sociais, fim dos meios e não o meio para os fins e objetivos tecno-mercadológicos. Assim, não basta ensinar a ler o novo mundo, é imprescindível aprender e ensinar a aprender esse novo mundo. Não basta divulgar e trocar ideias numa rede, primeiro é necessário construí-las com criticidade para depois debatê-las em suas diversidades e incertezas. Esse deve ser o novo papel da escola, formar o cidadão crítico capaz de ler, ordenar, repensar, compreender, organizar e gerenciar todas as informações que lhes chegam para depoi
s convertê-las em conhecimentos socializáveis, que sejam a seu favor, em prol da sustentabilidade de seu meio, que zelem pelo que dele é extraído e nele é jogado.
Item 03 - Reflexão:
“Quem sou como professor e aprendiz”
Sou um professor que desperta a curiosidade do aluno? Busco preparar meus alunos para utilizar os novos sistemas culturais de representação do pensamento? Desenvolvo uma prática interativa com os alunos? Ouço suas ideias? Aprendo com os alunos? Com os colegas? Faço mudanças na minha forma de ensinar? Por quê? Sinto-me confortável quando isto acontece ou tenho receio?
Nos dias de hoje ser professor já é algo no mínimo curioso. Com as novas tecnologias e a enxurrada de informações tornou-se comum os alunos se julgarem possuidores de conhecimentos e associarem o professor à antiga figura do bedel.
A considerar a ótica capitalista vigente, o professor é visto como um fracassado pois se alimenta, veste e anda mal. Fala de coisas e valores que ele, aluno, desconhece, não vê por aí! Coisas que não podem ser compradas e portanto não são para serem possuídas.
Tenho observado em minhas tentativas que os novos recursos estão subutilizados já que a cultura vigente se resume às redes sociais e dentro destas cultua-se apenas o hábito de comunicar-se em poucas e mal desenhadas palavras, em papos fúteis que nunca envolvem a instrução nem tão pouco a educação ou manifestações produtivas de representação do pensamento.
Em minha área de atuação (Educação Física) a interação é algo fundamental. Sem ela nada acontece. Se há interação, haverá comunicação, troca de ideias e saberes onde todos aprendem.
Penso que o fracionamento dos conteúdos programáticos proporcionou autonomia exagerada aos profissionais que com o passar do tempo foi traduzida em individualismo, isolamento e um certo absolutismo na reafirmação de verdades nunca provocadas ou questionadas.
Estou sempre tentando melhorar a forma de ensinar, mas isso se dá mais pela interação com os alunos e quase nunca da socialização de métodos com os colegas. Provavelmente, como outros, as mazelas do excesso de autonomia também me trazem um conforto ilusório de falsa segurança e acabo pensando que estou fazendo o melhor que posso, sem saber se é o melhor para ser feito ou se é o que precisa ser feito. A autonomia dada pelas redes, pública e privada, é para que todos olhem a Educação, mas para que ninguém dela cuide.
Assim em Educação, ninguém se encontra porque ninguém sabe onde o outro está!

Nenhum comentário:
Postar um comentário